Do samba às texturas latinas: Kia Sajo convida Xande de Pilares para celebrar suas raízes em novo disco

A inquietude, o desejo de romper padrões e a consciência de que somos o resultado de uma constante construção interna são os fios condutores que tecem “Cabeça Feita”, o álbum de estreia de Kia Sajo, que traz participação especial do renomado nome do samba, Xande de Pilares. Já disponível em todas as plataformas digitais, o projeto é um trabalho intenso, livre e provocante, que nasce de uma mente que sente muito e que escolhe, todos os dias, o que de fato acredita. 

A narrativa mergulha na complexidade de uma cabeça feita de criatividade, fé e esperança, mas que também atravessa inseguranças e inquietações. Através de suas canções, Kia propõe uma reflexão sobre o que cultivamos internamente, usando a arte como uma ferramenta para romper padrões normalizados, especialmente no cenário atual do mainstream. “Vivemos num cenário onde as músicas que encabeçam o mainstream são em sua grande maioria misóginas, e ser artista mulher hoje, pra mim, é tentar romper através da arte esses padrões cada vez mais normalizados. E é desse lugar que esse álbum nasce”, declara Kia.

As faixas traçam um percurso íntimo de autoconhecimento, atravessando amores, rupturas e recomeços que dão tom à obra. O sentimento amoroso se manifesta em múltiplas faces: ora intenso e arrebatador, ora leve, solar e latino, estabelecendo um equilíbrio preciso entre a profundidade das emoções e o frescor. “O processo de composição do álbum foi muito guiado pela observação e pela escuta… Eu não parti da ideia de ‘contar a minha vida’, mas de investigar estados emocionais e mentais que me atravessam e que, de alguma forma, também são coletivos”, comenta.

Ela ainda completa: “A composição veio como um exercício de linguagem: como traduzir sensações complexas em poesia. Algumas músicas nasceram de impulsos mais imediatos, quase como capturas de um momento específico. Outras exigiram mais tempo, mais lapidação, porque eu me preocupo muito com a palavra, com o peso que ela carrega e com o que ela deixa implícito também”.

O trabalho conta com 9 canções, incluindo as faixas “Sal na Pele”, ”Tarot”, “Cores Quentes”, lançadas anteriormente, e a inédita faixa-título, “Cabeça Feita”, um samba homônimo gravado ao lado de Xande de Pilares. O encontro simboliza a conexão entre o novo e o clássico, reforçando o peso das raízes de Kia dentro de sua atual proposta contemporânea. 

“Eu fui livre e fui eu mesma fazendo esse álbum, sabe? Consigo ouvir ele e olhar para a identidade visual e realmente pensar: essa sou seu! Eu não quis partir de um gênero, e sim da intenção de cada faixa. Cada música foi encontrando seu próprio caminho sonoro, de acordo com o que pedia, e isso acabou moldando essa identidade mais híbrida do álbum”, reflete a cantora.

Confira a tracklist de “Cabeça Feita”:

1. Notívaga
2. Cores Quentes
3. Tarot
4. Olho de Tigre
5. Presa no ar
6. Sal na Pele
7. Cabeça Feita
8. Mel e Jasmim
9. Festejo

Sonoramente, o álbum se apresenta de forma muito livre, brasileira e latina. Sem se prender a um único ritmo, o projeto se constrói como uma ode à nova MPB, onde a mistura de sonoridades não dilui, mas fortalece a estética da artista. Kia transita com naturalidade entre influências contemporâneas e raízes brasileiras, criando um álbum vivo, sensorial e profundamente autoral.

Quanto à expectativa para a chegada deste trabalho autoral nas plataformas digitais, ela declara: “Estou muito curiosa para saber como ele vai ressoar por aí, principalmente porque ele transita por diferentes sonoridades e propõe algumas reflexões, e cada pessoa pode acessar de um lugar diferente! E também estou com uma expectativa bonita em relação ao encontro com Xande de Pilares na faixa-título… Sou muito fã do Xande e como comecei minha carreira cantando samba com o grupo Dona Zica, pra mim sempre foi muito importante ter esse gênero no álbum. Eu amo samba, o samba me ensinou a viver”, finaliza. 

O disco chega como um convite a literalmente “fazer a cabeça” com coisas que nos tornam mais conscientes nesse mundo, não como fuga, mas como força, como proteção. Pra não cair em armadilhas, pra não se perder de si, pra não esquecer quem se é no meio do mundo.

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