Dra. Marina Mendes: a especialista que transforma estética em bem-estar e confiança

# Dra. Marina Mendes: a especialista que transforma estética em bem-estar e confiança

Em um mercado de medicina estética que cresce em ritmo acelerado no Brasil, impulsionado pela popularização de procedimentos minimamente invasivos e pela exposição permanente nas redes sociais, Marina Mendes escolheu operar pelo avesso. À frente da Clínica Unna, a médica construiu sua reputação sobre um princípio que, apesar de simples, segue sendo exceção no setor: recusar o que não se pode entregar.

A postura é deliberada. Em um ambiente em que a barreira de entrada diminuiu, com formações rápidas, oferta ampliada de procedimentos e comunicação orientada por captação massiva, a médica se posiciona como contraponto técnico. “Está cada vez mais fácil entrar na área, mas poucos compreendem a responsabilidade envolvida”, afirma. A leitura alinha-se a um movimento que entidades médicas vêm reforçando: a necessidade de vinculação a especialidades reconhecidas e de critério na indicação clínica.

O diferencial competitivo, na leitura de Mendes, está menos no procedimento e mais na decisão sobre quando não intervir. Pacientes chegam ao consultório influenciados por padrões irreais das redes sociais, agravados pelo avanço da inteligência artificial aplicada à edição de imagem, com expectativas desalinhadas de sua estrutura real. “Prefiro ser transparente a prometer o que não posso entregar”, resume. A recusa qualificada, ainda incomum no mercado, é tratada por ela como parte do cuidado, não como perda de oportunidade comercial.

Essa leitura orienta também a forma como conduz o atendimento. Para a médica, a decisão técnica depende tanto do quadro clínico quanto do nível de consciência e expectativa do paciente. “A estética precisa ser reflexo de bem-estar, nunca tentativa de compensação”, observa. A distinção, aparentemente sutil, reorganiza a prática: o procedimento deixa de ser objetivo e passa a ser consequência de um processo mais amplo, que envolve escuta, orientação e, quando necessário, contraindicação.

A visão sobre autoestima acompanha a mesma lógica. Mendes enxerga o trabalho clínico como parte de um contexto mais amplo de como a paciente se percebe e se posiciona. “Uma mulher que se sente segura ocupa espaços de outra forma. Mas isso não se entrega em um procedimento, se constrói em um processo.” A formulação afasta o texto do vocabulário de transformação instantânea, comum no setor, e aproxima da prática clínica orientada por consistência.

A projeção internacional do trabalho brasileiro em estética aparece como outro eixo de leitura. Com participação no AMWC Monaco, um dos principais congressos mundiais da área, Mendes observa o posicionamento dos profissionais do país no exterior. “Existe uma sensibilidade, um toque técnico que diferencia os profissionais brasileiros”, avalia. A Clínica Unna registra fluxo de pacientes estrangeiros, com destaque para Portugal, em linha com um movimento mais amplo de reconhecimento da medicina estética brasileira em mercados europeus.

O amadurecimento do público também é parte da análise. Pacientes mais informados, capazes de avaliar critérios técnicos e questionar promessas, elevam o padrão exigido dos profissionais. “Quem entrega qualidade e verdade constrói posicionamento sólido”, diz. O movimento, na leitura da médica, separa progressivamente o mercado em duas dinâmicas: a da captação por volume e a da autoridade construída por consistência ao longo do tempo.

A comunicação do setor acompanha essa transição. A centralidade do “antes e depois” como recurso de atração perde força, tanto pela restrição ética que limita seu uso publicitário na medicina quanto pela saturação visual do formato. Em seu lugar, ganham relevância narrativas que comunicam processo, critério e vínculo. “Mostrar resultado é uma parte. Transmitir confiança é outra, e é essa que sustenta o trabalho no tempo”, afirma.

O avanço da inteligência artificial aplicada à imagem adiciona complexidade adicional ao cenário. A fronteira entre resultado clínico real e resultado simulado tende a se tornar progressivamente menos evidente, o que reforça, para Mendes, a centralidade da coerência entre o profissional dentro e fora das redes. “Confiança se constrói com consistência. Isso não se edita.”

O movimento que ela materializa, recusa qualificada, rigor técnico, integração entre procedimento e contexto do paciente, ainda é minoritário em um mercado orientado por escala. Mas descreve com precisão o perfil de profissional que o amadurecimento do setor tende a valorizar. Em um ambiente de expansão acelerada, a consistência se torna ativo mais raro e, por isso mesmo, mais distintivo.

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